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sábado, 29 de dezembro de 2012

O DEGUSTADOR

Ralph J. Hofmann
Nosso (atualmente) abstêmio Editor Chefe tem dedicado uma atenção toda especial aos predicados do vinho e a citações de personalidades sobre o mesmo.
Isto trouxe à mente uma crônica de Art Buchwald do tempo em que trabalhava como jornalista e cronista do Paris Herald, a versão para expatriados do New York Times.
Contava que ele, um mero consumidor normal de vinhos, sem grandes conhecimentos foi escalado para escrever um artigo sobre a degustação de vinhos. O jornal negociara uma visita a um famoso chateau conhecido por seus vinhos e champanhas.
Preocupado Buchwald teria procurado um entendido em enologia proprietário de uma vinícola para prepará-lo sobre como se deveria comportar numa degustação de vinhos.
O amigo levou-o à sua “cave” (adega) abriu uma garrafa de vinho e entregou uma taça que Buchwald imediatamente tomou de uma só vez.
“Não! Não! Não! “ disse o amigo. “Em degustações não se bebe o vinho. Cheira-se o perfume, o  'bouquet’ do vinho, examina-se o vinho contra a luz para ver sua cor e transparência coloca-se um pouco na boca, faz-se um leve bochecho do vinho para que o mesmo circule sobre as papilas degustativas das diferentes partes da boca e depois cospe-se fora no chão da "cave”.
Buchwald meio sem jeito seguiu as instruções à risca.
“Agora”, disse o perito, “deve fazer um comentário sobre o vinho”.
Buchwald disse: “A boca fica meio ardida”. 
“Não! Não! Não! Você tem de dizer que o vinho tem reflexos lindos de rubi perfume de ervas e rosas, e ao degustar desperta toques de madeira e canela, ou algo assim. Senão vai insultar o castelão da vinícola.”
Após intenso treinamento Buchwald fez a visita e conseguiu se dar razoavelmente bem. Finalmente após a visita encerrada o nobre proprietário o levou para o salão do castelo e lá serviu uma taça de seu melhor champanhe para um brinde. Buchwald automaticamente faz bochecho com a bebida e antes que se dê conta cospe o gole sobre o tapete persa da sala.
Isto levou Buchwald a fazer uma importante contribuição para o mundo da gastronomia e bebida.
Passou a denominar-se degustador de refrigerantes. Chegava nos restaurantes finos da Europa  e pedia uma Coca-cola ou outro refrigerante qualquer.
O maître servia a bebida vil com cara de poucos amigos e nariz empinado. Então Buchwald o chamava de volta:
“Isto é temperatura que se sirva uma Coca-cola. Assim não dá! “ E mandava a bebida de volta.
Vinha nova garrafa e o cronista reinava:  “Esta bebida está velha. Garanto que está no estoque há mais de uma quinzena.  Realmente, que um estabelecimento com a reputação deste sirva refrigerante velho é inadmissível! “
Não se sabe se estas crônicas tinham algum objetivo específico, mas a verdade é que poucos meses depois, após anos como expatriado no Paris Herald , Art Buchwald foi transferido de volta para a matriz, o New York Times, onde passou a satirizar  o Presidente Lyndon Johnhson  vindo a escrever sobre ele uma sátira chamada de “O Filho da Grande Sociedade”.
Há quem suspeite que se Buchwald permanecesse mais um ano em Paris  a França teria declarado guerra aos Estados Unidos.
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