Cuidado com a letrinha entre o “H” e o “V”...
Aprenda a se
prevenir dos riscos que ela pode trazer à sua saúde, no
Carnaval ou em qualquer dia do ano!
São Paulo, 31 de janeiro de 2013 – As siglas já fazem parte do
nosso dia a dia. Porém, quando a questão é saúde é preciso estar muito atento ao
que elas significam, pois uma única letrinha pode provocar mudanças, por vezes
negativas, na rotina de qualquer um de nós.
Exemplo disso, são as letras B, C, I e P. Assim, isoladas, elas
parecem inofensivas. Mas, quando colocadas entre o H e o V, acabam por formar as
siglas de três doenças que vem sendo consideradas epidemias globais por diversos
especialistas.
A proximidade do carnaval reforça alguns cuidados que devemos ter
sempre em mente. A maioria destas doenças podem ser adquiridas por meio da
relação sexual, por isso, o uso do preservativo é indispensável para reduzir o
risco de contaminação. Mas, só isso não basta!
Assim sendo, seguem algumas dicas e informações de
nossos especialistas sobre prevenção e tratamentos, para que você não tenha
problemas com esse trio “nada elétrico” de letrinhas.
H B
C
– Hepatitis B
Vírus, ou o vírus causador da hepatite B – atinge cerca de
350 milhões de pessoas em
todo o mundo, dos quais 500 mil a 1 milhão morrem anualmente. A maioria dos
portadores do HBC não apresenta complicações hepáticas, mas de 15% a 40% deles
desenvolve sequelas sérias ao longo da vida em decorrência da cronicidade da
infecção viral. É uma doença sexualmente transmissível, e a sua transmissão pode
ser evitada com o uso de preservativos e também por meio da
vacinação.
A boa notícia é
que
a vacinação para
a hepatite B está disponível em todos os postos de saúde para crianças,
adolescentes e profissionais da saúde. Além disto, o SUS ainda
apresenta um protocolo, em que disponibiliza todas as medicações necessárias
para o tratamento adequado dos casos de hepatite B crônica. A melhor forma de
evitar a doença é a prevenção, mas mesmo para aqueles pacientes que apresentam
diagnóstico de doença crônica há disponível todo o tratamento
necessário.
H C V – Hepatitis C
Vírus, ou
vírus causador da Hepatite C, considerada uma epidemia silenciosa, por ser
uma doença assintomática e que atinge cerca de 1,5 milhão de
brasileiros.
Em 80% dos casos,
torna-se crônica, podendo evoluir para cirrose e câncer de fígado. Atualmente é
responsável por 50% dos transplantes de fígado realizados no país, sendo as
pessoas com mais de 40 anos as mais afetadas pela doença e suas
complicações.
A boa notícia é
que
o SUS disponibilizará a
partir deste ano os inibidores de protease (IP), nova classe de medicamentos
indicada para o tratamento da hepatite C em terapia tripla (associada ao interferon peguilado e a ribavirina) para pessoas com o
genótipo 1 da doença. Um desses medicamentos, o boceprevir, aumenta em duas a
três vezes as chances de pacientes nunca tratados e pacientes que não obtiveram
sucesso com o tratamento atualmente disponível de obter a
resposta virológica sustentada (cura) para a doença.
A boa notícia é
que
o diagnóstico positivo de
HIV, hoje, não é uma sentença de morte. O tratamento, oferecido de forma
gratuita pelo SUS desde 1996, é feito através de antirretrovirais,
medicamentos que não eliminam o vírus, mas ajudam a impedir que o HIV se
multiplique. Desde então, houve grande avanço no tratamento da doença com o
surgimento de medicamentos com menos efeitos colaterais e maior comodidade de
administração, facilitando a adesão do paciente à terapia e aumentando a
sobrevida do soropositivo. Hoje, de acordo com os dados mais recentes do Boletim Epidemiológico de DST-Aids, a terapia
atinge 217 mil brasileiros infectados.
- H P V – Human Papillomavirus ou Papilomavírus humano, doença que está sendo considerada por especialistas de todo o mundo a “epidemia do século 21”, visto que se estima que mais da metade das pessoas sexualmente ativas irão ter durante sua vida contato com um dos 45 tipos de HPV que infecta os genitais e o ânus. Por ser uma infecção assintomática, na maioria dos casos, a probabilidade de contágio pelo HPV é alta (entre 50% e 80%), podendo ocorrer por meio do contato sexual, com pele, roupa e objetos. Por isso, só o uso de preservativos não garante a proteção contra a doença. Estima-se que os tipos de HPV de alto risco sejam responsáveis por quase todos os casos de câncer de colo do útero, 40% a 50% dos cânceres vulvares, 70% dos cânceres vaginais, 85% dos casos de câncer anal e por todos os casos de verrugas genitais.
A boa notícia é
que
existem vacinas contra o
HPV – a bivalente (protege contra os tipos 16 e 18) e a quadrivalente (protege
contra os tipos 6, 11, 16 e 18). A bivalente é indicada, exclusivamente, para
meninas e mulheres de 10 a 25 anos na prevenção de câncer do
colo do útero. Já a quadrivalente está aprovada para uso em ambos os sexos, na
faixa etária de 9 a 26 anos, por oferecer cobertura preventiva contra os
principais tipos de cânceres (colo do útero, vulva, vagina e
ânus) decorrentes do HPV, além de proteger contra as verrugas genitais. O
governo brasileiro estuda a inclusão das mesmas no calendário vacinal e
recentemente a ANVISA aprovou a indicação da vacina quadrivalente também para
prevenção do câncer anal em homens e mulheres, de 9 a 26
anos.
*(Castellsagué X, Bosch FX,
Muñoz N. Environmental co-factors in HPV carcinogenesis. Virus Res.
2002;89(2):191-9).
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