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quarta-feira, 8 de maio de 2013

Gene de café resistente a seca é tema de reunião na Câmara dos Deputados

Gene de café resistente a seca é tema de reunião na Câmara dos Deputados

O Centro de Estudos e Debates Estratégicos da Câmara dos Deputados, em Brasília-DF, promoveu reunião para discutir utilização do gene de café resistente a seca em culturas, como açúcar, soja, arroz, trigo, feijão e algodão. Na ocasião, o gerente-geral da Embrapa Café, Gabriel Bartholo, fez exposição sobre andamento dos resultados e estudos para adaptação genética de plantas ao semiárido, o que irá auxiliar na convivência do homem com a seca. O presidente do Centro, Inocêncio Oliveira (PR-PE), pediu para incluir verba específica visando a estimular mais rapidez a essa pesquisa. O objetivo é garantir a produção, mesmo durante a estiagem, de produtos essenciais à mesa do brasileiro e para a riqueza do País, por meio da agregação, às suas respectivas plantas, da característica de tolerância à seca.

Sobre a pesquisa - De acordo com Bartholo, foi a partir do projeto que traçou o genoma do café, desenvolvido pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e pela Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo – Fapesp, que a pesquisa feita pela Empresa em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ identificou o gene (CAHB12), presente no café arábica e altamente tolerante a seca. Em sequência, os pesquisadores transferiram esse gene para outra planta (Arabidopsis thaliana), que foi submetida a um regime de 40 dias sem água e permaneceu saudável. “As ‘testemunhas’, plantas da mesma espécie que não receberam o gene, morreram em 15 dias. Mais do que isso, as sementes ficaram resistentes até a terceira geração”, explica.

O gene do café está sendo testado em casas de vegetação em plantas de interesse agronômico de culturas comerciais como cana de açúcar, soja, arroz, trigo, feijão e algodão. Depois dessa fase, passarão pelo teste de campo. Segundo o gerente geral, as expectativas da pesquisa são promissoras, beneficiando não só o Semiárido, mas também as demais regiões brasileiras a médio e longo prazos. “Estima-se que em cerca de 6 a 8 anos se obtenha cultivares tolerantes a seca. É um trabalho de parcimônia, com a realização de muitas checagens de benefícios/malefícios, inclusive sob o ponto de vista da saúde humana. Espera-se também que não se altere características agronômicas de interesse nas plantas estudadas e que haja tolerância a seca nas gerações seguintes”. Bartholo também enfatizou a importância de não se ter limitação de recursos, o que ameaçaria a continuação do projeto e até a perda dos dados já obtidos.

Além da expectativa de aumento ou manutenção dos níveis de produção econômica e de desenvolvimento social, os pesquisadores envolvidos no estudo acreditam que, com o cultivo de plantas resistentes a seca, será possível reduzir os impactos ambientais provocados pela atividade, uma vez que abre perspectivas de menor consumo de água.

A descoberta da Embrapa e UFRJ, já registrada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI, agora deverá buscar patente internacional, por meio do Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes (PCT), gerido pela Organização Mundial de Propriedade Intectual – OMPI. “Ainda há um longo caminho pela frente para ter domínio da patente. A Embrapa está se empenhando firmemente nisso”, garante o gerente geral da Embrapa Café.

Deputados presentes - Da Câmara dos Deputados, estavam presentes os deputados Inocêncio Oliveira (PR-PE), presidente do Centro de Estudos e Debates Estratégicos, e Luiz Henrique Cascelli de Azevedo, secretário executivo. Compararecem à reunião também os deputados José Linhares (PP-CE), Waldir Maranhão (PP-MA), Paulo César (PSD-RJ), Amauri Teixeira (PT-BA), Leopoldo Meyer (PSB-PR), Francisco Tenório (PNB-AL), José Humberto (PHS-MG), Alexandre Toledo (PSDB-AL), Marcelo Castro (PMDB-PI), Afonso Florence (PT-BA), Raimundo Gomes (PSDB-CE), João Paulo Lima (PT-PE) e Luciana Santos (PCdoB-PE).

De forma geral, os deputados se mostraram interessados em saber se o prazo de 6 a 8 anos na obtenção das cultivares poderia ser diminuído para que a seca tenha seus efeitos minimizados mais rapidamente. Sobre isso, Bartholo esclareceu que esse tempo pode ou não ser encurtado, dependendo das exigências da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CNTBio, e dos progressos e time da pesquisa. Ponderou que, do ponto de vista científico, as pesquisas precisam avançar nos testes para que seja comprovado com segurança que as gerações seguintes tenham longevidade e produtividade igual ou superior à original.

Origem do gene resistente a seca – É consequência do trabalho, realizado em parceria por instituições participantes do Consórcio Pesquisa Café e pela Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo – Fapesp, de mapeamento de 200 mil sequências de DNA, dos quais mais de 30 mil genes foram identificados como responsáveis por diversos mecanismos fisiológicos de crescimento e desenvolvimento do cafeeiro. Desse manancial genético, saiu o gene identificado e testado pelos pesquisadores, denominado CAHB12. A decifração do código genético do café, o genoma café, foi pioneirismo brasileiro e colocou o Brasil na vanguarda das pesquisas em café.

Esse banco de dados, o maior do mundo para o grão, está à disposição das 45 instituições que compõem o Consórcio Pesquisa Café, distribuídas em 14 estados brasileiros. As informações estão guardadas pela Rede de Genomas Agronômicos e Ambientais da Fapesp e pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.

Benefícios do genoma café - O domínio do código genético tem tornado possível o desenvolvimento de variedades mais produtivas, tolerantes a variações climáticas (como seca e geada) e resistentes ao ataque de pragas e doenças, com reflexos diretos no custo de produção, na proteção ambiental e no incremento de 20 a 30% na produtividade das lavouras, em função do menor uso de defensivos agrícolas. Além disso, os dados gerados pela pesquisa aceleram a obtenção de cultivares de melhor qualidade, aroma, sabor e propriedades nutracêuticas do grão, agregando qualidade ao produto e mais satisfação e saúde para o consumidor.

Consórcio Pesquisa Café - Congrega instituições de pesquisa, ensino e extensão localizadas nas principais regiões produtoras do País. Seu modelo de gestão incentiva a interação das instituições e a otimização de recursos humanos, físicos, financeiros e materiais. Foi criado por dez instituições: Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola - EBDA, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais - Epamig, Instituto Agronômico - IAC, Instituto Agronômico do Paraná - Iapar, Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural - Incaper, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Mapa, Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro - Pesagro-Rio, Universidade Federal de Lavras - Ufla e Universidade Federal de Viçosa - UFV.

Gerência de Transferência de Tecnologia da Embrapa Café
Texto: Flávia Bessa – MTb 4469/DF
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